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Ao engravidar podem surgir muitas dúvidas, principalmente quando falamos sobre uma mãe de primeira viagem. Mas isso não quer dizer que quem já tem filho sabe tudo sobre o assunto, certo? Cada gestação é única, assim como os cuidados com cada criança. Pensando nisso, é interessante conhecer um guia para ficar por dentro de todas as etapas.
Com as informações corretas, fica mais fácil curtir ao máximo e com tranquilidade esses momentos únicos. Por isso, vale a pena conferir abaixo perguntas respondidas pela Dra. Flavia Burim Scomparini (CRM-SC: 22716), ginecologista e obstetra e pelo Dr. Clay Brites (CRM-PR: 16787), pediatra e neurologista infantil.
O momento do parto assusta várias mamães, que já ficam sem saber qual tipo escolher, como será a recuperação e todos os outros detalhes. Mas, pode ficar tranquila, as respostas para vários questionamentos estão aqui.
Com quantas semanas em média o parto acontece?
Dra. Flavia: A maioria das pacientes terá o seu parto entre a 39ª semana e a 41ª semana, por isso, o cálculo da data prevista para o parto (DPP) é feito para 40 semanas.
Quais são os sinais de trabalho de parto?
Dra. Flavia: O trabalho de parto é definido pela presença de contrações uterinas regulares, com intervalo médio de 3 minutos, capazes de gerar modificação no colo uterino. Essas contrações normalmente se iniciam com intensidade leve, sendo mais perceptíveis na região lombar e no fundo uterino, e irradiando para o baixo ventre. A regularidade começa com intervalos longos, 15 a 20 minutos, e depois passa a intervalos mais curtos, 3 a 5 minutos.
Vale lembrar que a perda de líquido por rompimento da bolsa poderá ocorrer mesmo fora do trabalho de parto e também é uma indicação para avaliação médica imediata e possível internação hospitalar.
Como escolher o tipo de parto?
Dra. Flavia: A via de parto no Brasil não é uma escolha da paciente e sim uma indicação médica. No sistema privado temos a possibilidade de levar em consideração o desejo da paciente, porém no sistema público, o parto normal é a primeira via, sendo a cesárea uma alternativa para os casos em que o parto normal não é possível.
Há diferença entre parto normal, natural e humanizado?
Dra. Flavia: Sim. O parto normal é o nome amplo que damos ao parto por via vaginal. Ele pode ser natural e humanizado ao mesmo tempo.
O parto natural é aquele em que não são realizadas intervenções ou uso de medicações para o estímulo do nascimento.
O parto humanizado é o termo que usamos para o parto que respeita as preferências da mãe e o tempo do bebê. No parto humanizado, por exemplo, o bebê vai direto para o colo da mãe e permanece em contato com sua pele pela próxima hora. O pediatra faz a avaliação do recém-nascido ainda nos braços da mãe, e o clampeamento e corte do cordão umbilical é feito após a parada da pulsação.
Quais são as melhores posições para o parto normal?
Dra. Flavia: Cada paciente irá escolher a posição em que se sente mais confortável para o momento do expulsivo. Não existe uma única posição. Na minha prática profissional, gosto muito do uso do banco de parto, pois ele mimetiza a posição de cócoras ao mesmo tempo em que facilita a descida do bebê pelo canal de parto pela ação da gravidade.
O que fazer quando a bolsa romper?
Dra. Flavia: O primeiro conselho que dou às minhas pacientes é que elas fiquem calmas. A rotura da bolsa pode ocorrer horas antes do nascimento do bebê e não significa que o bebê irá nascer nos próximos minutos.
Ao perceber a saída de grande quantidade de líquido claro, com odor semelhante ao de alvejante, se a paciente estiver sem dor, ela poderá tomar um banho e encaminhar-se à maternidade para avaliação com calma. Nos casos em que a paciente já vinha apresentando contrações, recomenda-se a ida imediata à maternidade para avaliação, já que não temos como saber se já pode ou não ter dilatação do colo uterino.
E se a bolsa não estourar naturalmente?
Dra. Flavia: Nos casos em que a paciente permanece em trabalho de parto e a bolsa não se rompe, o médico poderá fazer a rotura artificial das membranas no momento oportuno. Em alguns casos, essa intervenção não se faz necessária, podendo, inclusive, o bebê nascer com a bolsa íntegra, como nos casos de parto empelicados.
Quando é preciso induzir o parto?
Dra. Flavia: A indução do parto pode ter inúmeras indicações. A idade gestacional superior a 41 semanas é uma delas. Acima dessa idade gestacional, não temos mais benefício em aguardar o desencadeamento espontâneo do parto, por isso, nessas circunstâncias orientamos que seja realizada internação hospitalar e indução medicamentosa do parto.
Outras indicações são: diabetes gestacional, aumento da pressão arterial, fetos com baixo peso ou com redução do líquido amniótico, rotura da bolsa e ausência de contrações espontâneas.
O que causa um parto prematuro?
Dra. Flavia: As infecções vaginais e urinárias são causas importantes de partos prematuros, por isso, devem ser tratados com atenção quando identificados. Outras causas incluem: colo uterino curto ou incompetente (que inicia a dilatação conforme ocorre o aumento do peso do feto), gestações múltiplas, alterações vasculares (doppler) do bebê por pressão alta da mãe ou diabetes gestacional descompensado e com repercussões fetais.
O parto é um momento único, por isso, é importante escolher um(a) profissional que se identifique com a gestante. Afinal, ele ou ela será responsável por trazer o bebê ao mundo.
Fonte: Portal Dicas de Mulher



